Atendendo ao pedido dele, ela ligou a webcam. Tamy era o nome daquela mulher. Ah...
– Tamy... Tamy... – Balbuciava o nome dela, em baixo tom, como se fizesse uma prece.
Tamy era linda. Os cabelos negros e longos lhe caiam sobre os ombros. A pele de bronze, como que feita sob encomenda. Aliás, sua exuberância não se deu por obra do acaso. Não. Uma mulher desse calibre é feita metodicamente, passo a passo. O Criador certamente se deteve nas minúcias. Deveria estar inspirado, era Sua Monalisa. Ela... Seus olhos, tão belos e singelos, mas capazes de entorpecer quem se atrevesse a fitá-los. Olhar luzido e intenso. Ele a olhava... Olhava... Infinitas reticências acompanhavam seu olhar. Parecia estar junto dela. Tamy estava ali, serena. Qualquer gesto, qualquer movimento o instigava. As mãozinhas delicadas... Pequenas mãos, tenras.
– Se eu pudesse sentir sua presença, tocá-la. – Murmurou.
Embasbacado ele permaneceu durante poucos segundos. Pelo menos no tempo cronológico. No tempo psicológico, foi possível fazer um bate-volta ao infinito. Contemplava-a. Estava encantadora. A nostalgia tomou conta dele. Eram as lembranças que passavam desordenadamente diante dos seus olhos. Recordações de momentos únicos, os quais vivera com ela tempos atrás. Via imagens disformes! Não conseguia enxergar! Mas podia sentir. E aquela sensação o agradava. Sentia a presença dela! Sim. Glorificava-se por ter vivido aquilo! Sentia-se vivo! Dentre as memórias eternizadas no seu íntimo e a visão da Afrodite reencarnada ele se encontrava. Sua visão periférica havia sumido. Só conseguia focá-la. Tudo ficou enevoado e turvo. Lento. Só tinha olhos para ela e parecia enxergá-la em câmera lenta. Estava extasiado. Era ela! Tamy! Tamy!!
Então, a webcam foi desligada.
Então, a webcam foi desligada.
– Nossa! - Ele estava de volta à realidade.