Ao meu redor, é tudo mais claro. Ouço murmúrios. São de pessoas que falam mal de outras pessoas, de vez em quando até falam bem. E tem alguém do meu lado, conheço esta pessoa. As demais estão afastadas. E tu, tu a quem conheço, não estás tão perto de mim, pelo menos não fisicamente. Daí tu me olhas. Sem querer, olho-te também. Sem querer.
Um sem querer muito bem quisto.
A partir disso, ficamos alheios àqueles murmúrios, a toda aquela gente tagarela. Construímos nossa atmosfera. Ela é menos clara, tem uma bruma que é doce e misteriosa, que intriga, para nos causar curiosidade, e aí queremos enxergar por através dela para contemplarmos um ao outro.
A mística da coisa.
No entanto, não atrevemo-nos a cruzá-la, a bruma. Não fazemos um sequer movimento, não mexemos um músculo sequer. Deixamos nossas ações por conta do olhar. Não queremos pôr fim a este nosso sem querer, a este nosso quase momento.
Muito além do quase.
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