quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Clichê
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Na Casa da Vó
domingo, 2 de janeiro de 2011
As unidades do cartão
Tu sabes que no alternar das gerações as coisas vão tornando-se obsoletas.
Lembro quando, em meados da década de 90, meu pai apresentou-me aquele aparelho revolucionário. Acho até que involuntariamente estiquei meus pequenos braços para tocá-lo, não tenho certeza. O certo é que fiquei vislumbrado.
Era um celular Gradiente, daqueles bem antigos, que tinha de puxar a antena e tudo mais. Também não recordo do preço, mas comparando com os celulares atuais, deve ter sido uma fortuna. Ah, também era possível enviar mensagens de texto, ver a hora etc. E, claro, podia-se jogar o tal do Snake. Já contei que fiz mais de 3 mil pontos nele?
Hoje, o tal celular da Gradiente não tem utilidade, as pessoas gargalham e fazem gracejos quando ele entra na pauta de uma conversa.
Outro fato do qual me recordo é dos orelhões à base de fichas telefônicas.
Nesta, também estava com o pai. Caminhamos muito até chegar num orelhão, que ficava próximo a um posto de saúde ou algo assim – talvez minha memória esteja me traindo. E lá se iam fichas e mais fichas para telefonar. Depois da privatização da telefonia no Brasil, pelo governo FHC, as coisas mudaram. A cada esquina, contávamos com a possibilidade de contatar pessoas de qualquer parte do mundo. E então vieram os cartões telefônicos.
Dia desses eu organizava minha coleção de cartões telefônicos. Tenho mais de mil. Eis que meu irmão, uma década mais novo que eu – uma criança, ainda – me questiona a respeito das unidades dos cartões telefônicos.
- Como é que é... Que funciona... Não sei direito.
Parece que o guri nunca usou um cartão telefônico de orelhão. Fiquei abismado.
Expliquei-lhe o funcionamento da coisa. Daí fiz algumas observações comigo e concluí alguns pontos, óbvios, mas que até então não havia olhado atentamente.
Eu mal conheci o funcionamento dos orelhões com fichas. O contato do meu irmão com cartões telefônicos foi praticamente zero. Sim, somos de gerações diferentes, normal. Não reside aí anormalidade alguma. As coisas mudam, é natural. Mas mais do que isso... a questão é outra.
Eureka! Veio-me então a verdade, a descoberta: "Estou ficando velho."
Não fosse o maldito governo FHC privatizar as telecomunicações, o cartão telefônico não existiria, eu não teria a coleção e meu irmão não me dispararia essa frase de grosso calibre à queima-roupa.
Maldito FHC.